A Cultura e a Religião do povo brasileiro
  • Formação do povo

    Pessoas de raça branca, vindas da Europa, de raça negra, originárias da África, e de raça amarela, os indígenas nascidos no Brasil, contribuíram para a formação do povo brasileiro. A mescla é intensa desde o início da colonização. O pequeno número de mulheres brancas entre os colonizadores portugueses fez com que eles acabassem por se relacionar com índias ou escravas negras, muitas vezes à força. Essa mistura deu origem a outros tipos raciais, como o mulato, originado da junção do branco com o negro; o caboclo ou mameluco, originado da mistura entre o branco e o amarelo; e o cafuzo, a junção do negro e do amarelo. Os povos que chegaram mais tarde ao Brasil, apesar de terem, em muitos casos, permanecido em comunidades fechadas, também se miscigenaram.

  • Imigrantes

    O número de imigrantes no Brasil sempre foi maior do que o número de emigrantes. A imigração começou oficialmente quando D. João VI promulgou a lei que permitiu a posse de terras por estrangeiros, em Novembro de 1808. O objectivo da lei foi o de facilitar a ocupação do Sul do país para garantir que um território do interesse dos castelhanos continuasse nas mãos da Coroa. Houve interesse também em "branquear" a pele da população, na época maioritariamente negra. A presença dos imigrantes provocou mudanças na vida do País, com a introdução de novos produtos e técnicas de cultivo, noção de pequena propriedade, economia de subsistência e pequenas indústrias domésticas (têxtil, alimentícia, de couro e de cerâmica). Os povos que mais imigraram para o Brasil foram os alemães, os austríacos, os húngaros, os eslavos, os espanhóis, os italianos, os japoneses, os sírios, os libaneses e os suíços alemães. Essa miscigenação fez com que o povo brasileiro fosse considerado um dos povos mais hospitaleiros do mundo. Todos que chegam ao Brasil, independente do lugar de origem, são recebidos com um abraço acalorado do brasileiro.

  • Religião

    Não existe uma religião oficial no País. Quase 88% dos habitantes do Brasil são católicos. Contudo, aproximadamente 20 milhões de católicos também praticam algum tipo de ritual de origem africana. Existem pelo menos cinco milhões de protestantes, entre luteranos, metodistas e episcopais, além dos judeus. A maioria dos indígenas professa religiões. [...]

Vacinas
  • Vacina contra Poliomielite

    É necessário um Certificado Internacional de Vacinação contra a Pólio para crianças com idade entre três meses e seis anos.

  • Dúvidas e outras vacinas

    Tire as suas dúvidas no consulado brasileiro mais próximo ou na Embaixada Brasileira do seu país.

História
  • A descoberta do Brasil

    A descoberta do Brasil pelos portugueses ocorre em um período de crise e de grandes transformações na Europa. Nos centros urbanos, o processo de transformação é acelerado. O comércio floresce e, com ele, surge uma nova classe social, a burguesia mercantil. Ela é quem vai financiar as grandes navegações dos séculos XV e XVI, que resultam na descoberta da América e do Brasil, na conquista e colonização da África e da Ásia. Em Abril de 1500, o navegador português Pedro Álvares Cabral alcança a costa do actual Brasil e reclama toda a região em nome de Portugal. Antes de chegar a terra firme, nomeia a região de Monte Pascoal, que depois passa a ser chamada de Terra de Vera Cruz. No curso da exploração, muitos cabos e baías foram baptizados, incluindo uma baía que foi denominada de Rio de Janeiro.

    A Terra de Vera Cruz passa, então, a chamarse Santa Cruz e, finalmente, Brasil, em alusão ao pau-brasil, árvore que abundava na região, levada em grandes quantidades para Portugal. Durante três séculos, o Brasil ficou na condição de colónia portuguesa. O colonialismo beneficiava a Metrópole. No Brasil daqueles anos não se pode falar em domínio. Inicialmente, o país era um desafio, pois não havia riquezas para Portugal explorar. O interesse era garantir o controlo da rota Atlântica. O direito de explorar as terras foi concedido a particulares mediante obrigações, mas considerando o Monopólio da Coroa.

    Nos primeiros tempos, os franceses mantinham um bom relacionamento com os índios. Só por volta de 1530 é que Portugal se passou a interessar mais pelo Brasil. O Brasil foi o berço da "democracia racial". Se uma raça preponderou, preponderaram também seus costumes. Para possibilitar uma melhor administração, o Brasil foi dividido em Capitanias Hereditárias. Estas, criadas por D. João III, enfrentaram vários problemas. Em 1549, foi nomeado o primeiro Governador-geral do Brasil, criado para coordenação das capitanias. Passaram a existir as capitanias reais. O Governo-Geral pode ser definido como primeiro esboço do poder público no Brasil. O Marquês de Pombal, sabendo da carência de gente para administrar a colónia, valeu-se de brasileiros. O centralismo político já tinha ultrapassado a fase de experiências para se tornar um projecto mais amplo.

    Os primeiros Governadores-gerais foram encarregados de tarefas administrativas e militares por um prazo de três anos. Houve distinção entre Governadores e Vice-reis: o Vice-rei, muito mais que um Governador-geral, parecia a própria personificação do poder. Este foi o impulsionador do movimento que daria início ao período republicano, que começa com o derrube do Império e a Proclamação da República, em 15 de Novembro de 1889, e se estende até hoje.

Clima e Temperatura
  • O clima no Brasil

    O clima no Brasil varia de acordo com a altitude e latitude de cada região. As estações são exactamente opostas às da Europa e Estados Unidos, excepto na região Norte do País. A média de temperatura anual é de, aproximadamente, 28°C no norte e de 20°C no sul. Existem locais, no sul do País, que chegam a temperaturas negativas, inclusivamente com geadas e neve. No Rio de Janeiro, em pleno Verão, a temperatura chega a atingir 40°C.

    O Brasil, pela sua vasta extensão territorial, de dimensões continentais, possui uma tipologia climática variada. Além de sua extensão, outros factores influentes nos diversos climas brasileiros são as condições de temperatura, altitude, pressão e proximidade com o oceano. Esta grande diferenciação climática resulta, por sua vez, em flora bastante variada, o que faz do Brasil um dos países detentores do ecossistema mais variado e complexo no mundo.

    O território brasileiro está dividido em faixas climáticas: 92% do território localiza-se entre a linha do Equador e o Trópico de Capricórnio. Portanto, pode dizer-se que o clima brasileiro é predominantemente tropical, ainda que apresente faixas equatoriais e sub-tropicais (zonas temperadas), distribuídas no restante do território. A predominância de altitudes baixas ao longo do território nacional acarreta em temperaturas mais elevadas. As temperaturas médias predominantes são superiores a 20°C. O Brasil é um dos únicos países no mundo a apresentar a chamada floresta equatorial (juntamente com o Congo, em África), circunscrita ao clima equatorial.

    Esse clima prevalece na região da Floresta Amazónica, onde as temperaturas médias oscilam entre 24°C e 26°C. O clima tropical actua nas regiões do Planalto Central, além de áreas do Nordeste e do Sudeste brasileiros. Este clima é caracterizado por duas estações quentes distintas por ano, com temperatura média superior a 20°C. Nas regiões mais altas, circunscritas pelo Planalto Atlântico no Sudeste, e ainda nas regiões ao sul do Mato Grosso do Sul e ao Norte do Paraná, o clima predominante é o chamado tropical de altitude. As médias de temperatura oscilam entre 18°C e 22°C.

    O chamado clima tropical atlântico predomina em praticamente toda a faixa litoral brasileira, estendendo-se desde o Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul. Tal clima tem por temperatura média anual uma faixa de variação entre 18°C e 26°C. O clima semi-árido abrange os territórios correspondentes ao sertão nordestino, incluindo desde o vale do Rio São Francisco, até o Norte do estado de Minas Gerais. As temperaturas médias anuais correspondem às maiores no território brasileiro, em cerca de 27°C. A região de clima mais frio corresponde à faixa territorial situada abaixo do Trópico de Capricórnio, que abrange os Estados do Sul, com excepção do Norte do Paraná. O clima subtropical dessa região apresenta uma temperatura média inferior a 20°C, com os Invernos mais rigorosos do País, sobretudo nas áreas de maior altitude, onde inclusive podem ocorrer nevões

Culinária
  • O Brasil dá água na boca.

     É isso que dizem todos aqueles que vêm visitar este país de culinária tão rica e saborosa. Pratos suculentos, temperados e com forte influência das regiões brasileiras, da cultura popular e da história e do país. Para se ter uma ideia dessa influência, um dos típicos pratos do Brasil é a tradicional feijoada, herança do período da escravidão colonial. Há séculos atrás, os escravos reuniam todos os pedaços da carne de porco rejeitados pelos senhores, como o pé e a orelha do porco, e misturavam ao feijão preto.

    E foi exactamente dessa necessidade vivida pelos negros que surgiu um dos mais apetitosos e, muito provavelmente, o mais famoso prato do Brasil. Uma alternativa saborosa para quem quer conhecer a fundo a nossa culinária e que, fica ainda melhor, acompanhada da caipirinha, a irresistível bebida brasileira. Viajar pelo Brasil é viajar por uma gastronomia tão diversa quanto às próprias características do país. Quem vai ao Nordeste, por exemplo, não pode deixar de provar o vatapá e o acarajé preparado pelas baianas, muitas vezes nas próprias ruas do Pelourinho.

    Isso sem falar dos outros pratos da região, como a carne de sol, que encanta os olhos e o olfacto antes mesmo da primeira garfada. Uma grande vantagem da comida brasileira está ligada às características naturais do seu território. Provar um dourado, delicioso peixe de água doce, muito procurado por quem visita o Centro-Oeste, deliciar-se com a acerola e o açaí, exóticas frutas tropicais do Norte ou com os espectaculares tucupi e tacacá são programas que devem estar em qualquer roteiro de viagem pelo Brasil. Está com vontade de vir cá? Então, não se esqueça: quem viaja ao Sudeste e ao Sul do Brasil precisa de experimentar a culinária mineira e o autêntico e macio churrasco gaúcho.

    O estado de Minas Gerais é uma verdadeira fartura quando o assunto é comida. Além de saborosos, os pratos são bem servidos. Do tutu mineiro e feijão tropeiro do almoço ao tradicional pão de queijo da hora do lanche, tudo chega à mesa em porções generosas. Minas também é famosa por seus doces caseiros, entre os quais se destacam o doce de leite e o Romeu e Julieta, combinação do famoso queijo de minas com a goiabada. Uma sobremesa tão deliciosa quanto às bebidas típicas da região: a cachaça mineira e o licor de jaboticaba. Outro incrível atractivo do Brasil é o churrasco gaúcho. A sua origem prende-se com os jesuítas da época colonial. Foram eles que trouxeram o gado da Europa para as vastas estâncias do Sul brasileiro dando início à pecuária.

    De lá para cá, o hábito do churrasco enraizou-se entre os gaúchos, tal como o chimarrão, típica bebida dos antigos índios. Hoje, a grande variedade de cortes, como a picanha e a costela de gado, é procurada por todos que vêm visitar as pampas e as serras do Rio Grande do Sul. Como se pode ver, além de um lugar incrível e com paisagens maravilhosas, o Brasil também prende seus visitantes pelo estômago com uma ementa variada, apetitosa e intimamente ligada às raízes do povo e aos aspectos naturais de cada canto do país.

Moeda, câmbio e taxas
  • Câmbio

    O câmbio é publicado diariamente nos jornais. Pode-se trocar moedas em bancos, agências de viagens e hotéis autorizados. Tanto "travellers checks" como moeda são facilmente trocados nesses locais. Cartões de crédito internacionais são aceites na maioria dos hotéis, restaurantes, lojas, agências de viagens, empresas de aluguer de veículos e outras empresas que prestam serviços ao turista. A taxa de câmbio é flutuante. A moeda brasileira tem mantido uma estabilidade razoável. De Novembro de 2003 a Abril de 2004, o dólar americano tem oscilado a uma cotação oficial média de R$ 2,90, segundo dados do Banco Central do Brasil.

Geografia
  • Território Brasileiro

    O território brasileiro estende-se por uma área de 8.547.403 km2 a Leste da América do Sul, limitando-se ao Norte com a Guiana, Venezuela, Suriname e Guiana Francesa; a Noroeste com a Colômbia; a Oeste com o Peru e Bolívia; a Sudoeste com o Paraguai e Argentina; e ao Sul com o Uruguai. A mais extensa fronteira do Brasil é com a Bolívia (3.126 km) e a menor com o Suriname (593 km). As costas Leste, Sudeste e Nordeste do país são banhadas pelo Oceano Atlântico. Apenas dois países da América do Sul - Chile e Equador - não têm fronteiras com o Brasil. O país ocupa 20,8% do território das Américas e 47,7% da América do Sul, sendo o quinto no mundo em extensão territorial, superado apenas pela Rússia, Canadá, China e Estados Unidos da América.

    A linha do Equador corta o país ao Norte, atravessando os estados do Amazonas, Roraima, Pará e Amapá. O Trópico de Capricórnio corta os estados de Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo a uma latitude Sul de 23°27'30". Um total de 93% do território brasileiro encontra-se localizado no Hemisfério Sul e 92% na zona intertropical. De acordo com dados de 1993, da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)*, a população brasileira totaliza 151.523.449 habitantes, com densidade demográfica média de 17,7 habitantes por km2. A população urbana corresponde a 75,4% do total e a composição étnica da população inclui 55,2% de brancos; 39,3% de pardos; 4,9% de negros; e 0,5% de amarelos. Na faixa etária de 0 a 14 anos encontram-se 34,7% do total da população do país, enquanto as pessoas entre 15 e 60 anos correspondem a 57,8%.

    O grupo acima de 60 anos representa apenas 7,3% da população. O crescimento demográfico no ano de 1991 foi de 1,93%, com um índice médio de mortalidade infantil de 68 por 1.000 nados vivos. O índice relativo à fertilidade feminina em 1990, indicou um total de 2,7 filhos por mulher. A expectativa de vida é de 62,1 anos para os homens e 68,9 anos para as mulheres. Reservas minerais Petróleo - A plataforma continental brasileira é rica em jazidas de petróleo. Dela são extraídos 60% da produção nacional. As reservas de petróleo do país somam 2.816 milhões de barris. O petróleo começou a ser explorado no Brasil em 1953.

    Actualmente, a produção é quase toda consumida internamente, exportando-se apenas uma pequena porção já refinada. Apesar do surgimento de novos poços e do contínuo aumento da produção, o petróleo explorado no Brasil não é suficiente para atender às necessidades do país. Existem 5.511 poços de petróleo em produção no país, sendo 4.872 terrestres e 639 marítimos. A maior parte da produção vem da Bacia de Campos, no estado do Rio de Janeiro, descoberta em 1974. Utilizando tecnologia nacional de exploração em águas profundas, a produção da Bacia de Campos alcança 52.600 m3 (330 mil) barris por dia. Na região do RecôncavoBaiano, estado da Bahia, o petróleo vem sendo explorado há mais tempo, tendo já sido produzidos naquela área mais de um bilião de barris do produto.

    * Todos os dados estatísticos apresentados são originários do IBGE. O campo de Água Grande é o que mais produziu até hoje no país, com um total de 42,9 milhões de m3 (274 milhões de barris) de petróleo extraídos do solo. Minerais metálicos - Entre os principais minerais encontrados no Brasil estão a bauxite, o alumínio, o cobre, a cassiterita, o ferro, o manganês, o ouro e a prata. Na região Norte do país são encontrados ferro, ouro, diamantes, cassiterita, estanho e manganês. Também existem ferro e manganês em grande quantidade no estado de Minas Gerais.

Aspectos Gerais
  • O Brasil

    O Brasil é o maior país da América Latina. Cobrindo quase a metade (47,3%) do continente da América do Sul, ocupa uma área de 8.547.403,5 km2. É o quinto maior país do mundo depois da Federação Russa, Canadá, China e Estados Unidos. Excepto por um pequeno número de ilhas, o Brasil é constituído por uma única e contínua extensão territorial. A linha do Equador passa pela região Norte do País, próximo de Macapá; o Trópico de Capricórnio corta o País ao Sul, próximo de São Paulo. A extensão do Brasil no sentido Este-Oeste (4.319,4 km) é quase equivalente à sua maior distância no sentido Norte-Sul (4.394,7 km).

    O Brasil faz fronteira com dez países: Guiana Francesa, Suriname, Guiana, Venezuela e Colômbia, ao Norte; Uruguai e Argentina, ao Sul; e Paraguai, Bolívia e Peru, a Oeste. O Equador e o Chile são os dois únicos países do continente sul-americano que não têm fronteiras com o Brasil. O Oceano Atlântico estende-se por toda a costa Leste do País, formando 7.367 km de orla marítima.

  • Idioma

    O português é o idioma nacional, sendo bastante diferente, no entanto, do falado em Portugal e noutras antigas colónias portuguesas. Algumas pessoas afirmam que os brasileiros, actualmente, falam o "brasileiro", com sotaque e entoação bem diferentes. Pode-se comparar ao que ocorre entre o inglês falado por americanos e ingleses: cada um tem as suas características regionais. Muitos brasileiros falam ainda alemão e italiano, especialmente nas cidades do Sul, por influência da colonização

  • Imigrantes

    Poucos lugares do mundo possuem o grau de abertura para o novo como o Brasil. Sobre a miscelânea inicial de base foi montada uma sociedade esclavagista que nunca conseguiu eliminar o costume já tornado tradicional, e que podia ser visto diariamente em filhos de brancos com negros, negros com índios, mulatos com brancos, brancos com índios.

    Esta gente construiu uma identidade no momento da Independência de modo tão forte que não houve divisão no território nem grandes disputas políticas internas. Pelo contrário, a nação foi construída com base em arranjos que muitas vezes pareciam disparatados aos olhos europeus - e mesmo a muitos brasileiros -, mas que funcionam até hoje de maneira um tanto incomum. O desejo de democracia no Brasil traduz-se, desde o século passado, numa enraizada crença na necessidade de se distribuir o poder a partir de mecanismos de representação política.

    Desde 1823, há eleições nacionais no País com uma abertura para o registo de eleitores incomum, mesmo para os padrões das democracias europeias. O Congresso Nacional, diga-se o que se disser dele, funciona com a regularidade de um relógio há 175 anos. Somente em três ocasiões os deputados eleitos não completaram os seus mandatos. A força do Congresso é tamanha que nem mesmo a ditadura militar dos anos 60 pôde prescindir dele. Até os ditadores sabem que o Brasil é ingovernável sem representantes eleitos. A força do Congresso existe porque está ancorada numa grande força social.

    A sociedade de escravos foi capaz de se transformar, absorvendo uma imensa quantidade de imigrantes e, mais que isso, fundindo-se a eles. O hábito de considerar atraente qualquer possibilidade matrimonial, independente de origem étnica, conseguiu prevalecer sobre a tendência ao fechamento, que marcava a maior parte dos grupos de imigrantes. Assim como absorve pessoas de fora sem perder sua identidade, o Brasil absorve empresas.

    A primeira empresa de capital estrangeiro do País instalou-se em 1825, e funciona até hoje. Nunca uma empresa de propriedade de estrangeiros teve qualquer alteração no seu regime de propriedade fora dos estritos termos da lei. Estas são apenas algumas das consequências da estruturação fundamentalmente democrática do País. O Brasil é uma das últimas províncias da Terra onde ninguém é estrangeiro, onde é possível mudar um destino sem perder a identidade. E é justamente essa característica que faz com que muitos o chamem de "país do futuro": desde a Colónia (1500-1822), passando pelo Império (1822-1889) e durante a República (1889 até hoje), a globalização é parte da natureza de cada brasileiro. Talvez agora o Brasil possa ser visto como semente de uma realidade cultural em que o orgulho de grupo não está acima da possibilidade de aceitar o novo.